Função Paterna e Paternidade

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Função Paterna e Paternidade

Já vimos que quando nasce uma criança, nasce com ela uma mãe, e que ela necessita do desejo de cuidar para promover um início de desenvolvimento saudável para seu filho. Você pode ler o texto que já publiquei sobre Função Materna e Maternidade para entender melhor a função da mãe.

Hoje falaremos da Função do Pai e da Paternidade.

 

Mas afinal, pai ajuda?

Para falarmos da função do pai temos que entender que só uma mãe sabe ser mãe e, portanto, só um pai sabe ser pai. CERTO?

Sendo assim, a paternidade é uma função própria do pai. Contudo, ele tem seu complemento na formação da personalidade da criança. Ao contrário do que se pensa, um pai ativo está pronto a atender as necessidades de seu filho, antes mesmo que a mãe assim o peça. Ele toma parte na educação e no acolhimento. O pai não ajuda a mãe, ele faz a sua parte. Coisas simples como auxiliar a mãe nos cuidados com o bebê, estar por perto, ser atento às necessidades que apareçam… Não há fórmula para o cotidiano. É o querer do pai, e envolve muito a visão que ele tem do papel da mãe, do feminino e masculino e todas as complexidades de desempenho de papéis.

Claro, nenhum pai e nenhuma mãe nascem prontos. A mulher aprende a ser mãe e o homem aprende a ser pai.

Nos contatos iniciais da vida do bebê, ele está imerso em um mundo de natureza instintiva e totalmente ligado ao contato e ao cuidado maternos. Ele necessita desses cuidados básicos de sobrevivência, que por hora a mãe que deve oferecer. Enquanto o bebê cresce e vai se tornando uma criança, é muito importante que os pais tenham atitudes de respeito entre si. Quando o pai está presente no ambiente familiar e interessa-se pela criança desde seu nascimento, podendo até mesmo participar ativamente de seus cuidados, como por exemplo, dar-lhe mamadeira, o banho, trocar-lhe as fraldas, fazê-la dormir… Esses cuidados, pelo menos no momento inicial, não conferem ao pai a função que lhe é própria. E não é porque esses cuidados não são importantes na vida da criança, mas eles efetivamente não definem a função de um pai. Não depende do fato de ele ser amável ou bruto, carinhoso ou distante, cuidadoso ou desajeitado. Não.

O que vale entender é que, da saída do colo da mãe ao mundo para a estruturação da linguagem, o pai fica responsável pela simbologia da entrada da criança na cultura.

Neste sentido, a primeira função do pai é aquela de dizer “não” ao filho, de barrar, de interditar e colocar limites.

Na paternidade, não se trata de um desejo da mãe a criança ter um pai. O pai tem sua presença marcada no ato que deu origem à criança e a mãe não deve negar. O discurso materno deve marcar a importância e a existência de um pai, pois isso a ajudará a educar e estruturar seu filho. A mãe deve fazer da palavra do pai uma ordem de limite à criança. Assim como é importante a mãe desejar cuidar de seu filho, ela também deve permitir que o pai seja ativo na educação e envolvimento com a criança.

 

E quando o pai falha?

Por outro lado, toda criança necessita de limites. Um pai que não se posiciona como aquele que faz a lei, que nomeia certo e errado, e se mostra também marcado por uma lei, não cumpre efetivamente a função simbólica da paternidade. Vou dar-lhes um exemplo: imaginemos que segue no carro pai e filho. O pai, ao ver o sinal vermelho, para o carro e o filho lhe pergunta por que o carro parou. Uma resposta seria que o sinal está vermelho. Isso bastaria para a criança naquele momento. No entanto, um pai mais atento e marcado pela lei pode ir além dessa resposta. Pode explicar ao filho que mesmo que ele quisesse passar, não poderia porque esta é a lei – que no sinal vermelho tenho que parar e esperar. Veja, um pai é a lei para seu filho. É a ordem do caos. É a palavra que organiza o comportamento da criança.

 

Quando o pai é ausente

Vocês podem estar se perguntando: mas e se o pai é ausente?

É importante ressaltar que a função de um pai não está vinculada à presença física dele. Quando um pai está ausente ou morre, pela natureza instintiva, a criança elege alguém para “admirar” e ocupar simbolicamente essa função. Toda criança pede e necessita de limites para se sentir segura. Por outro lado, o pai deve existir para a criança no discurso da mãe, mesmo quando ele é ausente, no sentido de que a mãe também deve colocar limites e situar a criança dentro de uma lei.

Não é uma tarefa fácil ser um pai. Depende do desejo de educar, da vontade de passar valores geracionais, culturais e, sobretudo, de afeto.

E você, tem o seu pai contigo? Sente-se regido por uma lei que te conforta?

Espero ter contribuído com o tema.

Até mais!

Sempre atentos!!

Se você deseja algum tema específico ou entrar em contato comigo, envie um e-mail para: adrianareame@hotmail.com